AQUARIUS É UM FILME QUE PRESERVA A MEMÓRIA

Postado dia 26 de setembro de 2016, em A Magia do Cinema

     Aquarius (2016) do diretor Kléber Mendonça é antes de tudo um filme sobre a memória sem saudosismo ou qualquer outro tom piegas. A história fala da vida de Clara (Sonia Braga) que é a última moradora do edifício “Aquarius” um prédio antigo em Recife na praia de Boa Viagem. O embate se dá entre ela e uma construtora que quer derrubar o prédio e construir um outro moderno. O filme se arrasta de forma meio tensa e é possível sentir a forte carga emotiva  das noites solitárias e da resistência de Clara como aposentada e viúva com filhos crescidos, mas de se sentir bem e plena consigo mesma .

     Aquarius é um filme muito mais psicológico do que propriamente político como foi amplamente discutido pela mídia tradicional. Trata-se de um filme que fala dos nossos medos mais profundos, do enfrentamento das nossas limitações. É tudo muito bem desenhado, construído, um filme com viés artístico que pretende durar mais do que uma estação. É uma resistência ao novo, ao fluído, ao líquido dos tempos contemporâneos, com forte base emocional e mostra sobretudo, que a solidão pode ser um espaço para a autodescoberta.

     Até o plano de fundo das questões sociais brasileiras é muito bem acabado. A corrupção personificada pela construtora, os envolvimentos políticos da história, a culpa burguesa de Clara em relação a empregada doméstica que lhe serve durante tantos anos. Sonia Braga continua soberana, e aparece em cena com roupas de praia absolutamente magnética, carregando em si toda uma história do cinema brasileiro, de alguém que manteve a maior bilheteria da historia nacional por mais de trinta anos e essa é uma das grandes memórias desse tão bem produzido filme, onde nem tudo precisa ser dito, mas sentido de uma forma tocante que só os grandes filmes são capazes de fazer.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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