A Magia do Cinema

AQUARIUS É UM FILME QUE PRESERVA A MEMÓRIA

     Aquarius (2016) do diretor Kléber Mendonça é antes de tudo um filme sobre a memória sem saudosismo ou qualquer outro tom piegas. A história fala da vida de Clara (Sonia Braga) que é a última moradora do edifício “Aquarius” um prédio antigo em Recife na praia de Boa Viagem. O embate se dá entre ela e uma construtora que quer derrubar o prédio e construir um outro moderno. O filme se arrasta de forma meio tensa e é possível sentir a forte carga emotiva  das noites solitárias e da resistência de Clara como aposentada e viúva com filhos crescidos, mas de se sentir bem e plena consigo mesma .

     Aquarius é um filme muito mais psicológico do que propriamente político como foi amplamente discutido pela mídia tradicional. Trata-se de um filme que fala dos nossos medos mais profundos, do enfrentamento das nossas limitações. É tudo muito bem desenhado, construído, um filme com viés artístico que pretende durar mais do que uma estação. É uma resistência ao novo, ao fluído, ao líquido dos tempos contemporâneos, com forte base emocional e mostra sobretudo, que a solidão pode ser um espaço para a autodescoberta.

     Até o plano de fundo das questões sociais brasileiras é muito bem acabado. A corrupção personificada pela construtora, os envolvimentos políticos da história, a culpa burguesa de Clara em relação a empregada doméstica que lhe serve durante tantos anos. Sonia Braga continua soberana, e aparece em cena com roupas de praia absolutamente magnética, carregando em si toda uma história do cinema brasileiro, de alguém que manteve a maior bilheteria da historia nacional por mais de trinta anos e essa é uma das grandes memórias desse tão bem produzido filme, onde nem tudo precisa ser dito, mas sentido de uma forma tocante que só os grandes filmes são capazes de fazer.

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